segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

natal

CINCO MIL MILHÕES É MUITO DINHEIRO


Lê-se e ouve-se, mas custa a crer que um povo na penúria possa
dissipar, numa só festa, tão impressionante soma. É claro que, no
arraial consumista em que se transformou o Natal, tudo são desculpas
para se gastar o que há e não há, sem pensar muito nas frustrações do
dia seguinte…

E o pior de tudo é que grande parte deste dinheiro foi desbaratado num
mero exercício de soma nula, em que a quantia que uns ganharam foi
exactamente igual à que outros perderam, não possuindo os artigos
comprados qualquer valor multiplicativo, antes pelo contrário, serão
outra fonte de despesas e aborrecimentos.

Um economista que, em tempos, colaborou no JN, diria que isto é um
caso típico da cultura da pobreza. Vivem o momento, seja porque não
conseguem disciplinar-se, seja por falta de sentido do futuro. Não
possuindo hábitos de poupança, cedem facilmente às emoções e impulsos.
Não dando grande valor ao dinheiro, não descansam enquanto não se vêem
livres dele.


Amândio G. Martins

sexta-feira, 24 de dezembro de 2010

debates

TÃO BOM É O QUE ROUBA COMO O QUE FICA À PORTA

Em mais um elucidativo debate televisivo, em que o ex homem do leme
não deixou dúvidas acerca do seu carácter, ficámos a saber que está
para nascer quem se lhe compare…
Em qualquer país decente, o chefe máximo assume a responsabilidade por
tudo que acontece a jusante, mas aqui só o que for a crédito é que o
nosso génio da economia chama a si; tudo quanto seja negativo não é de
sua responsabilidade.
Os exemplos da sua falta de grandeza moral a cívica são tantos que
difícil é escolher. Ainda não há muito tempo, quando esteve na
República Checa, o presidente daquilo se fartou de o picar por causa
do nosso défice das contas públicas, mas o nosso "timoneiro"
limitou-se a fazer um dos seus esgares, engoliu em seco e disse, com o
costumado desplante, que não era culpa dele.
Do alfobre de malandragem que foi o cavaquismo, cujo mal causado ao
país iremos pagar por muitos anos ainda, constava um tal Cardoso e
Cunha. Este personagem, que andou pelo Governo, pela Comissão Europeia
e pela expo não sei quantos, 98, se bem me lembro, quando o cavaquismo
ruiu fragorosamente, ocupava o lugar de "manda-chuva" neste último
evento.
A prosápia e postas de pescada arrotadas pelo tal Cunha, que, acerca
da sua meritória acção, chegou a dizer que merecia uma estátua, foi ao
ponto de obrigar o ministro que o tutelava a pôr-lhe uns patins.
Durante uns anos foi mantido a uma distância segura dos dinheiros
públicos, mas quando Durão Barroso se tornou primeiro-ministro, eis
que o homem é colocado na TAP, onde começou logo a torpedear o
trabalho sério e profissional que o brasileiro Fernando Pinto vinha
realizando e era reconhecido por todos os quadrantes.
Fica a crédito de Santana Lopes (alguma coisa de útil haveria de
fazer…) através do ministro António Mexia o sujeito ter sido corrido a
tempo da TAP. E querem saber mais? Pouco tempo depois surgiram nos
media notícias de que este indómito "servidor" público havia pedido
falência pessoal!
Moral da história: Claro que só o clientelismo partidário pode
explicar que um indivíduo, que nem competência tinha para gerir a sua
vida pessoal, andasse tantos anos nos mais diversos cargos de
responsabilidade pública.
GÓRGIAS

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

pensões

ACABARAM AS PENSÕES DE MISÉRIA !


No esplendor do cavaquismo, o Governo decidiu, num dia certamente
memorável, estabelecer 13 contos como mínimo para uma pensão. Marques
Mendes, Secretário de Estado da Presidência do Conselho de Ministros,
com a expressividade que todos lhe conhecem, capaz de dizer as maiores
idiotices como as coisas mais tenebrosas sem mover um só músculo da
face, foi o escolhido para ir à TV anunciar que tinham acabado as
pensões de miséria em Portugal !...

Cavaco sabia escolher tão bem o seu pessoal, que só mesmo o rosto
impenetrável de Marques Mendes podia aguentar dizer o que disse sem
corar de vergonha ou desatar à gargalhada.

Perante tão indecorosa declaração, de que, com 13 contos, se acabavam
as pensões de miséria, ficava claro, na estatura física de Marques
Mendes, a estatura do Governo de que era porta-voz.

Claro que seria inútil pedir-lhe que explicasse como, com tal
montante, que renda de casa se poderia pagar, que alimentação se
poderia fazer, que vestuário se poderia comprar, que saúde, enfim, que
qualidade de vida se poderia usufruir….


GÓRGIAS

quarta-feira, 22 de dezembro de 2010

debates

A FOME PROVOCA INDIGESTÃO A CAVACO ?


Ver Cavaco nos debates televisivos tem sido confrangedor. As caretas e
os esgares que a criatura faz, quando não tem argumentos válidos para
responder às questões que lhe são colocadas pelos concorrentes, são de
dar volta ao estômago. "Eu não sou responsável nem corresponsável pela
situação a que se chegou, teve o despautério de dizer.

Apetece responder como Lula da Silva acerca da OPEP, quando ponderava
se valeria a pena o Brasil entrar naquilo: "quando o petróleo sobe, a
OPEP diz que não é ela, quando desce, diz que não é ela, então para
que serve ? ".

Na verdade, entre as desgraças que têm acontecido a este pobre país,
Cavaco ocupa lugar de relevo.
Dizia um economista, no auge do cavaquismo, que, segundo as
estatísticas comunitárias, dois milhões e meio de portugueses passava
mal, e que a maior parte dos artigos publicados sobre a pobreza eram
escritos por burocratas interessados em fazer caridade com dinheiros
públicos e fazendo-se pagar altos salários por isso.

E que os fundos vindo da União Europeia para combater a pobreza
dificilmente contribuiriam para a eliminar. Dado o nível de vida
português ser 56% da média comunitária, se o país mantiver uma taxa de
crescimento igual à dos outros países vai manter este nível de vida
indefinidamente.

È por isso que o programa de convergência deste governo é muito mau,
porque, com ele, a única coisa certa que temos é que Portugal
permanecerá, para sempre, na cauda da Europa.

Quando o último Governo de Cavaco caiu de podre, a situação era tal
que o seu sucessor se viu na necessidade de criar o famigerado
Rendimento Mínimo, para mitigar a fome que se vivia, medida que, mais
tarde, Durão Barroso haveria de classificar de importante e que foi um
erro não ter sido tomada pelos governos de Cavaco.

Agora, sacudindo a água do capote, Cavaco grita que a fome é uma
vergonha para os políticos. Pois é !


GÓRGIAS

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

carta

A CARTA QUE NÓS PAGÁMOS


Com o país de mal a pior, vendo esvair-se os milhões da EU para os
amigos do poder do momento, Cavaco escreveu uma carta à populaça.

Acerca disto, escrevia um respeitado professor universitário: Quem vê
o primeiro-ministro, viajando por todo o lado para inaugurar obras há
muito inauguradas e em pleno funcionamento, é levado a pensar que
Cavaco Silva não conhece já outra forma de se dirigir aos portugueses,
a não ser a destapar uma placa comemorativa com o seu nome…

Esta imagem está de tal forma enraizada que é difícil imaginar ao
nosso "homem do leme" uma postura diferente. E o que ele repete dia a
dia é a cassete dos pacotes e dos milhões do Plano de Desenvolvimento
Regional, que serão generosamente entregues a quem estiver próximo do
Governo e seguir, sem criticar, as suas decisões.

Nunca ocorreu ao homem interrogar os seus botões se em algum outro
país da Europa ele viu, ou pensa que possa vir a acontecer, um
primeiro-ministro gastar milhares de contos dos contribuintes para
incluir nos jornais uma carta, como publicidade paga, coisa que nada
acrescenta ao que vem sendo diariamente transmitido, de viva voz e da
graça, por todos os media?...

Esta carta, além de um acto falhado, é um atestado de indigência
passado a todos os seus ministros. Foge ao debate com a oposição e
faz-nos pagar uma carta que sabe que não terá resposta, porque ninguém
dispõe de tanto dinheiro para lhe responder da mesma forma.


GÓRGIAS

segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

cavaco

ISTO AQUI NÃO É O UGANDA!

No estertor do cavaquismo, a CIP fazia sair um comunicado retratando a
desgraça em que o "optimista-autista chefe" deixava o país, prestes a
desertar.
O parágrafo inicial desse documento apontava o facto de a recuperação europeia não se ter reflectido em Portugal, ao contrário do esperado,
sendo condenada a atitude do Governo que insistia em negar a
evidência.
Falava também da corrupção, porque os últimos anos tinham sido
catastróficos, com os megadesvios do Fundo Social Europeu, as facturas
falsas, casos Partex a Caixa Económica Açoriana, crimes que se temia
virem a prescrever nos tribunais.
Perante todo este lodaçal, Cavaco não só fechava os olhos como ajudava
os corruptos, como quando berrou na AR que em Portugal não havia
corrupção, porque "isto aqui não é o Uganda"!...
Atolado na porcaria, o chefe do Governo socorreu-se, nos últimos
tempos, de três espadachins da palavra, que foram Vasco Graça Moura (
é, para mim, um mistério que um homem desta craveira tenha aceitado
defender o que se passava e, ao que parece, ainda hoje defenda…),
Pacheco Pereira e Duarte Lima.
Dizia um jornalista: "é curioso que o PSD se tenha arrependido de
fazer o inicialmente prometido, isto é, mais obra e menos conversa, e
tenha passado a valorizar o brilho da oratória, a capacidade de iludir
o povo pelo discurso, a arte tradicional da política que Cavaco se
tinha proposto modificar".
Em meados de 1995, uma jornalista reportava o conto do vigário que um
tal Thierry Roussel cá veio espetar, diante da passividade do genial e
rigoroso Cavaco Silva. Apesar de sobejamente conhecido como parasita
vigarista, pela vida que levava e por já ter dado um golpe de 58
milhões de dólares em Christina Onassis, com quem tinha uma filha,
este sujeito era cá apresentado como esmerado pai de família e um
benemérito da costa alentejana.
O cavalheiro instalou-se como um nababo, construiu uma coisa chamada
Odefruta, através da qual sacou 1.6 milhões de fundos comunitários,
600 mil contos do IFADAP e 300 mil do Instituto do Emprego, num total
de dois milhões e meio de contos, que nesse tempo eram contos, que
foram às urtigas, porque o escroque foi-se embora deixando 600
trabalhadores na rua e 500 hectares de terra inutilizada com produtos
tóxicos!
GÓRGIAS

domingo, 19 de dezembro de 2010

portas

PORTAS AGRADECIDO A CAVACO

A defesa que o Portas Paulo vem fazendo de Cavaco Silva, nesta
campanha para PR, mostra que ele sabe ser agradecido, já que, quando
fez de jornalista e dirigiu um jornal, Cavaco era um manancial
permanente para as suas "manchetes".

Dizia Portas director: "PSD sim, tacho sempre. Dos quatrocentos e
cinquenta dirigentes nacionais e distritais, o partido tem 58% deles
com lugar remunerado no Estado"
"Os candidatos que você paga: vai por aí um corropio de
administradores de hospitais do Estado, directores de Centros de
Saúde, gestores da Segurança Social, chefes de Finanças e os mais
variados gestores públicos, todos à procura de votos nas autárquicas."
"No lote dos novos candidatos que o PSD já confirmou, as pessoas
dependentes do Partido para chegar ao Estado e do Estado para chegar
às Câmaras é enorme., o que significa que este partido é cada vez mais
incapaz de procurar na sociedade activa os seus candidatos. E quem
paga a campanha destes candidatos é o contribuinte, porque o trabalho
que deixam de fazer tem um custo e a remuneração que podem continuar a
receber é paga pelo orçamento do Estado, o que implica uma vantagem
sobre os outros candidatos."

"O doutor Cavaco continua convencido de que tem razão no que está a
fazer, mas começa a perceber que grande parte da sociedade já rosna
contra o Governo, pois a sua gente e os seus métodos puseram esta
maioria cada vez mais segura apenas por um fio, o do voto cativo dos
que dependem do Estado."

"Como sabe outra coisa não desprezível: no dia seguinte à seca dos
fundos europeus, o país estará uma lástima, sobrando uma economia que
não produz, não cria emprego e não pode defender-se. Pode conceber-se
que ele tenha consciência de que já não domina e olhará a sua maioria
com o pavor dos falhados."

O que acima fica é uma pequena amostra do que Portas escrevia, no
tempo em que o grande génio da Economia era primeiro-ministro, para
desgraça de Portugal…


GÓRGIAS