ESCRAVOS PASSANDO POR HOMENS LIVRES
No belo conto de Óscar Wilde, "Os sonhos do jovem rei", da "Biblioteca
de Verão" JN, o futuro rei tem um sonho no qual se vê numa tecelagem,
em diálogo com o homem que lhe fabricava os trajes que usaria na
coroação, em que o argumentário do operário continua válido hoje,
desmascarando a desfaçatez de muita impostura…
Quando ouve o rei afirmar-lhe que o país é livre e que ele não é
escravo de ninguém, o operário responde que, na guerra, os fortes
submetem os fracos à escravatura; em tempo de paz, os ricos reduzem os
pobres à servidão, pagando salários tão miseráveis que os deixam
morrer.
E enquanto o trabalhador pena, amassando as uvas para outros beberem o
vinho, semeando o trigo mas continuando de arcas vazias, vendo os
filhos enfraquecerem e adoecerem, o rico vai acumulando ouro. Embora
não se vejam, os trabalhadores continuam arrastando grossas correntes,
não sendo mais do que escravos passando por homens livres!
GÓRGIAS
segunda-feira, 7 de maio de 2012
VISTA-SE DE SACO E APRESENTE-SE
Nos primórdios do cristianismo, tocados pelos sérios avisos de
veneráveis profetas, alguns notáveis pecadores decidiam despojar-se da
luxuosa indumentária e vestir-se de saco, procurando assim redimir-se
da indignidade em que viviam; outros, porém, escolhiam cortar a cabeça
aos profetas.
Saída do nefasto alfobre de personagens que tantos malefícios causou
ao país, a figura que agora nos enche os noticiários, acusada de crime
arrepiante, só surpreenderá os distraídos, dada a tendência que há
muito lhe foi detectada e para a qual a política lhe deu a sensação de
invulnerabilidade; só que esta, como à de Aquiles, há sempre um
calcanhar que a trai…
E outros há, da mesma fornada, que continuam a cantar de galo e a
ofender, com a sua facúndia, a nossa inteligência, mas ficando claro
que se sentem como aquele sujeito que, acusado de roubo e perseguido
pela multidão, decide gritar com ela "agarra que é ladrão"!
GÓRGIAS
Nos primórdios do cristianismo, tocados pelos sérios avisos de
veneráveis profetas, alguns notáveis pecadores decidiam despojar-se da
luxuosa indumentária e vestir-se de saco, procurando assim redimir-se
da indignidade em que viviam; outros, porém, escolhiam cortar a cabeça
aos profetas.
Saída do nefasto alfobre de personagens que tantos malefícios causou
ao país, a figura que agora nos enche os noticiários, acusada de crime
arrepiante, só surpreenderá os distraídos, dada a tendência que há
muito lhe foi detectada e para a qual a política lhe deu a sensação de
invulnerabilidade; só que esta, como à de Aquiles, há sempre um
calcanhar que a trai…
E outros há, da mesma fornada, que continuam a cantar de galo e a
ofender, com a sua facúndia, a nossa inteligência, mas ficando claro
que se sentem como aquele sujeito que, acusado de roubo e perseguido
pela multidão, decide gritar com ela "agarra que é ladrão"!
GÓRGIAS
COMO LIMALHA EM REDOR DO IMAN
O famoso bailarino russo Rudolf Nureyev disse um dia que grande
bailarino não é aquele que executa com elegância o salto mais difícil,
mas o que consegue dar arte ao passo mais vulgar, mas não parece que
haja nos artistas da nossa governação alguém desta craveira.
Já exímio na prática de que a verdade de qualquer declaração política
nada tem a ver com a sua credibilidade e vice-versa, o chefe do
Governo faz por esquecer o que disse num evento da jota do seu
partido, antes das eleições, de que não estivessem a contar com
lugares no aparelho do Estado, porque não iriam imitar o PS .
Sendo sabido que, seja qual for o quadrante, os vencedores de eleições
se vêem rodeados de caçadores de sinecuras como limalha atraída pelo
íman, é de temer que o meio milhar de "bafejados" que o JN nos mostra
seja apenas o início do regabofe que iremos pagar, já que nem três
meses são passados desde que tomaram pose…
GÓRGIAS
O famoso bailarino russo Rudolf Nureyev disse um dia que grande
bailarino não é aquele que executa com elegância o salto mais difícil,
mas o que consegue dar arte ao passo mais vulgar, mas não parece que
haja nos artistas da nossa governação alguém desta craveira.
Já exímio na prática de que a verdade de qualquer declaração política
nada tem a ver com a sua credibilidade e vice-versa, o chefe do
Governo faz por esquecer o que disse num evento da jota do seu
partido, antes das eleições, de que não estivessem a contar com
lugares no aparelho do Estado, porque não iriam imitar o PS .
Sendo sabido que, seja qual for o quadrante, os vencedores de eleições
se vêem rodeados de caçadores de sinecuras como limalha atraída pelo
íman, é de temer que o meio milhar de "bafejados" que o JN nos mostra
seja apenas o início do regabofe que iremos pagar, já que nem três
meses são passados desde que tomaram pose…
GÓRGIAS
TAL QUAL AGÊNCIAS DE NOTAÇÃO
Sendo mais que sabido que o capital não tem pátria, o que me causaria
estranheza, e até desconfiança, seria ver alguém com o perfil do
enfatuado líder desse grupo, que agora se junta àqueles que há muito
se borrifam para nós, fazer algo que pudesse merecer o elogio de
"patriótico", já que não se tem dispensado de, implicitamente, nos
atirar à cara que não precisa de nós para nada, que lá fora é que é
bem recebido e melhor tratado.
Diz-se que o primeiro-ministro não comenta. Pudera! Como se não
estivesse ainda fresco na memória de todos a "elevação" com que este
empresário, figura de pouco interesse mas com grandes interesses,
tratou o então chefe do Governo e, logo de seguida, foi visto
"abrilhantando" um evento promovido pelo actual PM…
Naquela linha de pensamento de que é na desgraça que a gente sabe
verdadeiramente quem é, há quem faça apelo ao brio do cidadão
consumidor, que somos todos, no sentido de passar ao largo das lojas
do grupo em questão. E seria bonito de se ver, se não fôssemos tão
rotineiros, uma demonstração de que o consumidor conhece o real poder
que possui; mas não só isto não é assim tão linear, como os primeiros
prejudicados seriam os trabalhadores. É que estas boas almas usam a
mesma filosofia das agências de notação: se um país, uma instituição,
o que for, já está com água pela barba, dão-lhe na cabeça, para que se
afogue mesmo!
GÓRGIAS
Sendo mais que sabido que o capital não tem pátria, o que me causaria
estranheza, e até desconfiança, seria ver alguém com o perfil do
enfatuado líder desse grupo, que agora se junta àqueles que há muito
se borrifam para nós, fazer algo que pudesse merecer o elogio de
"patriótico", já que não se tem dispensado de, implicitamente, nos
atirar à cara que não precisa de nós para nada, que lá fora é que é
bem recebido e melhor tratado.
Diz-se que o primeiro-ministro não comenta. Pudera! Como se não
estivesse ainda fresco na memória de todos a "elevação" com que este
empresário, figura de pouco interesse mas com grandes interesses,
tratou o então chefe do Governo e, logo de seguida, foi visto
"abrilhantando" um evento promovido pelo actual PM…
Naquela linha de pensamento de que é na desgraça que a gente sabe
verdadeiramente quem é, há quem faça apelo ao brio do cidadão
consumidor, que somos todos, no sentido de passar ao largo das lojas
do grupo em questão. E seria bonito de se ver, se não fôssemos tão
rotineiros, uma demonstração de que o consumidor conhece o real poder
que possui; mas não só isto não é assim tão linear, como os primeiros
prejudicados seriam os trabalhadores. É que estas boas almas usam a
mesma filosofia das agências de notação: se um país, uma instituição,
o que for, já está com água pela barba, dão-lhe na cabeça, para que se
afogue mesmo!
GÓRGIAS
O MUITO DE POUCOS DÁ POUCO…
O rebate de consciência de alguns ricos notáveis, de que não é
admissível continuarem a ser mimados pelos governos, no que aos
impostos diz respeito, vai certamente valer-lhes o ódio de muitos,
mais habituados a fazer exigências do que a colaborar com os
governantes.
Fazendo axioma da frase "o pouco de muitos dá muito; o muito de poucos
dá pouco", muitos capitalistas vivem convencidos de que nada devem à
sociedade, antes pelo contrário, todas as honras lhes são devidas,
mesmo quando não hesitam em semear a fome à sua volta, despedindo a
eito, se alguma conjuntura mais complexa lhes ameaça redução nos
lucros.
Esta casta de patrões treme sempre que ouve falar em justiça social,
porque o que realmente os faz felizes é poder dispor de muitos braços
de espinha dobrada e boina na mão, sempre dóceis para todo o serviço,
mandando às malvas vocações e qualificações…
GÓRGIAS
O rebate de consciência de alguns ricos notáveis, de que não é
admissível continuarem a ser mimados pelos governos, no que aos
impostos diz respeito, vai certamente valer-lhes o ódio de muitos,
mais habituados a fazer exigências do que a colaborar com os
governantes.
Fazendo axioma da frase "o pouco de muitos dá muito; o muito de poucos
dá pouco", muitos capitalistas vivem convencidos de que nada devem à
sociedade, antes pelo contrário, todas as honras lhes são devidas,
mesmo quando não hesitam em semear a fome à sua volta, despedindo a
eito, se alguma conjuntura mais complexa lhes ameaça redução nos
lucros.
Esta casta de patrões treme sempre que ouve falar em justiça social,
porque o que realmente os faz felizes é poder dispor de muitos braços
de espinha dobrada e boina na mão, sempre dóceis para todo o serviço,
mandando às malvas vocações e qualificações…
GÓRGIAS
O MAIOR JUGO SÃO OS IMODERADOS TRIBUTOS
No sermão de Santo António, pregado em 1642, dizia o padre António Vieira:
"A costa de que se havia de formar Eva, tirou-a Deus a Adão dormindo,
para mostrar quão dificultosamente se tira aos homens, e com quanta
suavidade se deve tirar, ainda o que é para seu proveito.
Com tanta suavidade como isto se há-de tirar aos homens o que é
necessário para sua conservação. Se é necessário para conservação da
Pátria, tire-se a carne, tire-se o sangue, tire-se os ossos, que assim
é razão que seja; mas tire-se com tal modo, com tal suavidade, que os
homens não o sintam, nem quase o vejam.
Assim aconteceu aos bem governados vassalos do imperador Teodorico,
dos quais dizia ele: "Eu sei que há tributos, porque vejo as minhas
rendas acrescentadas; vós não sabeis se os há, porque não sentis as
vossas diminuídas" ."
GÓRGIAS
No sermão de Santo António, pregado em 1642, dizia o padre António Vieira:
"A costa de que se havia de formar Eva, tirou-a Deus a Adão dormindo,
para mostrar quão dificultosamente se tira aos homens, e com quanta
suavidade se deve tirar, ainda o que é para seu proveito.
Com tanta suavidade como isto se há-de tirar aos homens o que é
necessário para sua conservação. Se é necessário para conservação da
Pátria, tire-se a carne, tire-se o sangue, tire-se os ossos, que assim
é razão que seja; mas tire-se com tal modo, com tal suavidade, que os
homens não o sintam, nem quase o vejam.
Assim aconteceu aos bem governados vassalos do imperador Teodorico,
dos quais dizia ele: "Eu sei que há tributos, porque vejo as minhas
rendas acrescentadas; vós não sabeis se os há, porque não sentis as
vossas diminuídas" ."
GÓRGIAS
DIFÍCIL ENTENDER UM ARTISTA VIOLENTO
Tenho acompanhado os relatos do julgamento de Paco Bandeira, acusado
de violência doméstica, e interrogo-me como é possível que um artista
tão admirado possa ser capaz de tais actos.
Difícil entender que aquele senhor, aparentemente afável, autor e
intérprete de grandes sucessos musicais, se vulgarize ao ponto de
cometer tão cobardes agressões contra a companheira, de quem tem uma
menina adolescente, que deverá ficar também gravemente afectada.
Tanto quanto julgo saber, este homem foi combatente na guerra
colonial; sendo sabido que muitos ex-combatentes nunca superaram esse
desgraçado stresse de guerra, pergunto-me se este infeliz não será
mais uma daquelas vítimas…
GÓRGIAS
Tenho acompanhado os relatos do julgamento de Paco Bandeira, acusado
de violência doméstica, e interrogo-me como é possível que um artista
tão admirado possa ser capaz de tais actos.
Difícil entender que aquele senhor, aparentemente afável, autor e
intérprete de grandes sucessos musicais, se vulgarize ao ponto de
cometer tão cobardes agressões contra a companheira, de quem tem uma
menina adolescente, que deverá ficar também gravemente afectada.
Tanto quanto julgo saber, este homem foi combatente na guerra
colonial; sendo sabido que muitos ex-combatentes nunca superaram esse
desgraçado stresse de guerra, pergunto-me se este infeliz não será
mais uma daquelas vítimas…
GÓRGIAS
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